Quando a humanidade começa a se tornar infértil, as poucas mulheres que ainda podem ter filhos são sequestradas e transformadas em aias. São ensinadas com violência, por meio de fanatismo religioso, a se tornarem servas de "deus", indo morar em casas de casais inférteis e participando de rituais em que são estupradas pelo casal para gerar um filho para eles.
Essas mulheres são proibidas de ler, de ter contato com suas antigas famílias, suas vidas, seus filhos. Elas sequer tem um nome. São escravas, apenas uma barriga de aluguel para povoar o mundo. E em volta disso tudo muita morte e muita tortura.
Uma série definitivamente impressionante. Não é apenas o fato de ser uma assustadora distopia, mas o fato de ser completamente possível nesse mundo maluco em que vivemos. Aliás, grande parte do que acontece já foi e ainda é possível em muitos lugares.
Esse filme é deprimente como o título mesmo pode indicar, mas ainda assim trata um tema importante de uma maneira "leve". Uma família possuiu uma loja de artigos que auxiliam as pessoas a cometer suicídio, pois todos vivem em uma sociedade imersa em depressão. Quem vai na onda contrária é o filho caçula da família que nasce alegre (algo muito incomum) e começa a mostrar que há motivos para as pessoas continuarem vivas e tudo vira uma grande confusão.
Falar de desesperança e de suicídio é delicado, por isso não é algo muito comum de se mostrar em filmes, principalmente por poder servir de gatilho para pessoas que tenham predisposição à depressão e a tirar a própria vida. A história não é das mais incríveis que eu já tenha visto, mas sem dúvida é única e abre debates interessantes sobre a "moda da tristeza" e de como a sociedade anda servindo de trampolim para que as pessoas se suicidem em vez de ajudá-las a recuperar o ânimo de viver.
Esse é o meu filme favorito, tanto pelo prazer que me traz ao assistí-lo quanto a simplicidade cruel da narrativa. Trata-se de uma garotinha filha de um pai ausente e uma mãe alcoolista que começa a se comunicar com um homem de 40 anos que é aspie e vive sozinho em NY. Ele, Max, conta todas as tristezas que viveu no passado, mas não demonstra pesar ao contar, sendo algo tremendamente natural, com toques de humor negro deliciosos. Tudo o que passa e que passou se deve principalmente por sua dificuldade em compreender as pessoas, já que tem um nível de autismo que o impede de compreender sentimentos e também demonstrar. Mary, a garotinha que mora na Austrália é uma menina que sofre bullying e vive solitária, apenas na companhia de um galo de estimação e da TV. Ela vai crescendo e o decorrer da sua vida não é nada agradável. Ela sofre muito, ainda que a animação deixe tudo em tom irreverente e delicioso. Esperamos ansiosos pelo encontro dos dois quando Mary se torna adulta e essa com certeza é uma das cenas mais bonitas do filme. Assisti dezenas de vezes e toda vez eu rio e choro. É o meu filme favorito e dificilmente deixará de ser.
Não espere apenas filmes cult por aqui. É bom esperar também aqueles filmes que simplesmente nos tocam por terem, sei lá, alguma conexão com a gente. As vantagens de ser invisível teve esse efeito sobre mim. Charles é um garoto que traz a mesma melancolia e otimismo experimentado por mim na vida e ele lida com essa vida de uma maneira que me parece tremendamente familiar. Não sei se posso dizer que esse seja um filme completamente maravilhoso, é um filme adolescente, daqueles que não são leves e nem pesados e que não tratam de temas assim tão novos, mas uma das melhores cenas que já vi está nesse filme, o momento em que o garoto se sente livre, quando abre os braços naquele carro que percorre o túnel e o vento bate no peito dele e ele diz "eu me sinto infinito"... como a dizer com uma simples frase que há tantas possibilidades, mas tantas, que a morte é a última coisa a importar, nós somos infinitos, podemos atingir muitas coisas, podemos nos libertar todos os dias, podemos transformar o mundo e nascer de novo. Nós somos verdadeiramente infinitos... Não existe uma palavra com que eu possa definir a sensação que essa frase me traz, talvez muito mais do que pode significar para a maioria, mas espero que os faça sentir tão libertos quanto eu me sinto desde que a ouvi.
Esse filme é maravilhoso. Ele me fez rir de choque. Todos os temas são tratados de formas muito diferentes do que estamos acostumados a ver. Há diversas pessoas interligadas nesse filme, seja por laços consanguíneos, seja por amizade. É um retrato da vida nos subúrbios dos EUA. Seus personagens podem estar em qualquer lugar desse mundo e são vilões e mocinhos de si mesmos, pessoas com quem a gente acaba tendo uma relação estranha, porque a gente não os odeia de cara, o que eles despertam mesmo é curiosidade. O mais marcante para mim foi o psicólogo pedófilo e estuprador que é pai, que é casado e tem uma vida "perfeita", sendo, no entanto, constantemente atormentado por seus desejos por meninos ao mesmo tempo em que tenta ajudar o filho a entender sua sexualidade de forma saudável. As conversas desse filme são muito cruas e a gente se surpreende com a forma brilhante como as coisas acontecem no desenrolar da história. Cada personagem é um mergulho em novas formas de ver a vida e a sociedade. Esse filme é a caricatura da imagem que as pessoas pretendem passar, mas que esconde terríveis verdades jamais confessadas.
Agora trago um filme brasileiro bastante conhecido. Temos aí uma empregada típica do cenário brasileiro. Vinda de uma cidade menor, de um estado mais distante do "centro" do país que vive de uma maneira discreta e é tratada como lixo, mesmo sem perceber. As sutilezas na forma como demonstram que ela é inferior, mesmo que lhe digam "você é da família" é o que nos faz parar e pensar. Os patrões a tem como uma pessoa menos inteligente e menos capaz, ao mesmo tempo em que querem passar a ideia de que são bons para ela e que não a mantém em um quartinho minúsculo e abafado por maldade, mas porque aquele é o lugar que pertence a ela.
Quando a filha dessa empregada chega a essa casa, demonstrando em seu jeito de ser uma aura de igualdade, mesmo sendo mais pobre, ela começa a incomodar não apenas os patrões, mas a própria mãe, que a chama de menina metida, que não sabe se colocar em seu lugar. E aí Jéssica, a menina, revela "mas eu não acho que sou melhor do que ninguém, só não acho que sou pior."
É um filme cheio de sutilezas, mas que nos ensina pouco a pouco a perceber os preconceitos e as diferenças de classes dentro desse país repleto de falsos moralistas e bons samaritanos de meia tigela.
Considero este o filme mais triste que já assisti. Ele conta a história dessas quatro pessoas da capa. Três jovens e uma mulher mais velha, sendo esta a mãe desse último rapaz da imagem. Cada um deles se envolve com drogas de um jeito muito devastador. Requiem for a dream retrata a morte dos sonhos, a decadência lenta e dolorosa dessas quatro pessoas. O título é brilhante e cruel.
Fiz um trabalho na faculdade sobre essa filme e precisei ver cada cena várias vezes. Não importa o que eu faça hoje, ele não sai da minha cabeça. Cada um desses personagens é muito bem construído e as críticas sociais ao sistema de saúde e o tratamento de pessoas com algum vício é terrível. Acabamos sofrendo ao ver que essas pessoas poderiam ser melhor cuidadas pelo sistema, mas é o sistema que os destrói e os deixa a própria sorte. Vemos como as drogas podem destruir uma pessoa, mas não apenas as drogas ilícitas, mas também os medicamentos utilizados para ansiedade e depressão. Há muitos temas abordados aí e não apenas o uso de drogas, mas tudo o que está em volta disso. É um filme dinâmico, com uma filmagem única, com atores maravilhosos e cenas de cortar o coração. Tem um dos finais mais incríveis que já vi, apesar de ser o mais triste de todos.






