Agora trago um filme brasileiro bastante conhecido. Temos aí uma empregada típica do cenário brasileiro. Vinda de uma cidade menor, de um estado mais distante do "centro" do país que vive de uma maneira discreta e é tratada como lixo, mesmo sem perceber. As sutilezas na forma como demonstram que ela é inferior, mesmo que lhe digam "você é da família" é o que nos faz parar e pensar. Os patrões a tem como uma pessoa menos inteligente e menos capaz, ao mesmo tempo em que querem passar a ideia de que são bons para ela e que não a mantém em um quartinho minúsculo e abafado por maldade, mas porque aquele é o lugar que pertence a ela.
Quando a filha dessa empregada chega a essa casa, demonstrando em seu jeito de ser uma aura de igualdade, mesmo sendo mais pobre, ela começa a incomodar não apenas os patrões, mas a própria mãe, que a chama de menina metida, que não sabe se colocar em seu lugar. E aí Jéssica, a menina, revela "mas eu não acho que sou melhor do que ninguém, só não acho que sou pior."
É um filme cheio de sutilezas, mas que nos ensina pouco a pouco a perceber os preconceitos e as diferenças de classes dentro desse país repleto de falsos moralistas e bons samaritanos de meia tigela.


